Com o Atlético Paranaense isso não acontece!

Primeiro foi o grande Estádio e depois o título de campeão brasileiro. Aí o torcedor começou a ficar enjoado. Vaiava tudo, nada estava bom, como se a vida inteira tivesse sido um mar de rosas.

O maior dirigente de todos os tempos tinha dado 20 anos de sua vida em prol do Clube. Aliás, havia pegado um time comum – apenas uma possibilidade – e transformado no maior do Estado, numa potência que chegara a ultrapassar as fronteiras do Paraná. Mas embora o grande dirigente tivesse feito o inacreditável milagre, houve quem o censurasse, corrigisse, criticasse e traísse.

Opositores que de futebol nada entendiam – ou entendiam muito pouco, ou julgavam entender muito – vociferavam: “ultrapassado! centralizador! ditador! metido a dono do Clube!”.

Houve quem – indo além dos limites da razão e movido por ódios e ressentimentos – sentenciasse: “ladrão!”.

O poder mudou de lado, botaram os pés pelas mãos e as teorias – na prática – deram em nada.

O velho voltou e foi novamente censurado, corrigido, detraído e criticado. Foi visto chorando.

O torcedor – antes enjoado e de nariz empinado – passou a se contentar em apenas não cair para a Segundona, todo mês de Dezembro.

O grande Estádio era o Couto Pereira, o título era o de 1985.

O torcedor enjoadinho e chato são os coxas.

O dirigente era o Evangelino da Costa Neves.

E essa derrocada toda aconteceu no Coritiba, por ingratidão e incompreensão de sua gente.

Tiraram o maior dirigente cedo demais, o Evangelino tinha pelo menos mais uma década a dedicar ao Coritiba.

Preferiram Bayard Osna, Vialle e Jacob Mehl: nenhum dos três tinha a estrela e a sagacidade do Chinês.

Os coxas-brancas embarcaram na novidade ao som do canto da Sereia e se arrependem amargamente até hoje.

Ainda bem que essas tragédias só acontecem na casa do vizinho. Ainda bem que com o Atlético Paranaense isso não acontece.

Autor: Rafael Lemos

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