Coluna: Rafael Lemos

Na sexta-feira dia 20 de novembro quebrei um dente comendo um belo churrasco. Na segunda-feira, 23 de novembro de 2015, exatamente às 18h, a dentista sentenciou: “Fraturou. Vai ter que fazer canal. Vamos literalmente ao nervo da questão, Rafael. E vai doer!”.

Dito isso, respondi resignado: “Mete broca, Doutora!”. E lá foi ela contra o meu nervo exposto: com aço, broca, motorzinho, ar e água. Doeu, mas ficou bom! Ou melhor: está ficando, pois falta ainda uma sessão.

Inspirado na objetividade da dentista, vou nesta coluna diretamente ao nervo da questão eleitoral: o CAPGIGANTE deve continuar? Vai doer (tenho alguns poucos amigos na oposição), mas vou tratar da continuidade sem delongas e o farei na forma de tópicos, a seguir apresentados.

1. Petraglia ainda tem o que oferecer ao Atlético Paranaense?

A resposta objetiva é: sim e muito. Ora, se pegando um Atlético quebrado em 1995 transformou o Clube numa das maiores potências do futebol brasileiro (e ao contrário do que sustentam alguns, ganhou títulos e botou o Atlético no mapa do Brasil e das Américas), imaginem o que fará daqui pra frente tendo o patrimônio que tem, podendo jogar todos os campeonatos dentro da Arena da Baixada e iniciando 2016 com uma base formada pois as principais peças continuarão conosco para o próximo ano. Aliás, a continuidade (não confundir com continuísmo) se recomenda, também, pelo fato de se ter pouco tempo entre o fim da temporada 2015 e o início da temporada de 2016. Ninguém, por mais bem intencionado que possa ser, consegue formar e fechar um elenco competitivo em 45 dias, tempo que decorrerá entre a proclamação do resultado das eleições de 2015 e a largada da Sul-Minas-Rio. Daí a importância da continuidade, para que não se tenha que começar tudo do zero, como fez o Coxa do Bacellar no início de 2015 e por pouco não acabou rebaixado.

2. Petraglia será copresidente da Primeira Liga (Liga Sul-Minas-Rio). Isso não conflita com a condução do CAP?

Não e muito pelo contrário. O Clube Atlético Paranaense – por intermédio de seu Presidente Mario Celso Petraglia – criou, como protagonista, ao lado de outros grandes Clubes brasileiros, a Primeira Liga, entidade que já em 2016 fará seu primeiro campeonato e que futuramente poderá vir a substituir a polêmica, opaca, hermética, duvidosa e ineficiente CBF. Sendo desde o início protagonista, o Atlético Paranaense, na figura de seu Presidente, terá vez e voz na cúpula da nova Entidade que – friso – poderá vir a substituir a CBF. Ocupando a copresidência, e considerando que estará presidindo o Conselho Deliberativo do Clube a partir de 2016, teremos um Comando focado em questões vitais do futebol, sejam elas: calendários e cotas de televisão-publicidade. Deste modo, haverá na atuação do Petraglia forte preocupação de incremento de Receitas para o CAP, receitas essas que são – em toda e qualquer análise – o elemento decisivo a dividir vencedores e vencidos nos campeonatos de grande expressão técnica. Fortemente representado na Primeira Liga, o Atlético reforçará seu protagonismo em nível nacional, podendo de vez assumir a liderança desportiva e política no Estado do Paraná, eis que nossa Federação inexiste e nossos coirmãos – em virtude de rachas políticos internos – enfraqueceram-se nos cenários local e nacional, a ponto de se acomodarem em posições de meros coadjuvantes. Ser forte nacionalmente fará do Atlético um Clube ainda mais respeitado e em condições de exigir do mundo da bola fatias mais generosas nas divisões das receitas, mesmo porque futebol é caríssimo e impõe aos Clubes imensos investimentos. Mas para sermos fortes nacionalmente precisamos voltar a sermos campeões dentro do Estado do Paraná. Assim será feito, não pode mais ser diferente!

3. O CAP assinou o acordo tripartite para o custeio do Joaquim Américo visando à Copa. O Estado já reconheceu que deve repassar mais ao Atlético, mas a Prefeitura insiste em não cumprir sua parte. E agora?

A solução – não se enganem e não se deixem enganar – é política. Talvez não venha nesse final de gestão do claudicante Fruet, mas virá na sequência. Ratinho pai apóia Petraglia. Ratinho Júnior vem aí. Precisa dizer mais? Pingo é letra! Deixem o “hómi” trabalhar, deixem-no continuar trabalhando, pois 45 anos de atuação política nas costas não é biografia pra qualquer um. E o Atlético vai continuar precisando dessa experiência toda. E não vai nisso nenhuma desonestidade, ao contrário: o Atlético, enfim, poderá ser ouvido e a Justiça será restabelecida, pois a interpretação que a Prefeitura – erroneamente – tem dado ao acordo tripartite retirou boa parte da Receita de 2015 com a qual o Atlético planejava fazer futebol. Um furo de 40 milhões é sempre algo difícil de se administrar. Mas o que é nosso por direito será reconhecido, após longas caminhadas pelas sendas da Política. Por essa razão, também, devemos renovar nosso voto de confiança no Petraglia. Quem desfez o desastroso negócio chamado MORRO GARCIA haverá de fazer outros milagres. Vale seguir confiando.

4. Grama sintética? Pra que isso?

Aqui, senhores, eu vos lembro da tarde de ontem. Domingo decisivo para os Clubes do Brasil. Os gramados de Rio e São Paulo – nossas duas maiores cidades – estavam submersos. A chuva torrencial por pouco não exigiu a transferência de Vasco X Santos, que após uma hora de atraso acabou por ser jogado num terreno pantanoso, tendo por fim gerado uma partida de baixíssimo nível técnico. Como jogar futebol de 1ª Divisão em campo que nem sequer comportava uma pelada de Solteiros X Casados? Enquanto isso na moderna Arena da W Torre, Palmeiras e Coxa se equilibravam num gramado liso, mas um pouco melhor do que o de São Januário. Pouco mais tarde – embora a chuva torrencial tivesse caído também em Curitiba – Atlético e Flamengo jogavam num gramado seco, pois o teto retrátil (ostentação para alguns cornetas) protegera o piso para a realização da partida. Mas o piso da Baixada – não obstante os investimentos e cuidados – não é o ideal pois a umidade e falta de boa iluminação natural prejudicam definitivamente o terreno. A grama sintética – novidade no Brasil – será, sim, a solução. E anotem aí: será a primeira de muitas, assim como nossa primeira Arena (1999) foi a primeira de tantas outras, ainda que à época do lançamento de sua pedra fundamental (fevereiro de 1997) o Petraglia tenha sido chamado de maluco, megalomaníaco e visionário. A grama sintética será boa para o Atlético (mais qualidade por menos dinheiro) e garantirá um gramado perfeito onde a bola rolará como numa mesa de sinuca. E qualidade técnica – no piso, na bola e nos jogadores – é o que faz o bom espetáculo. Vale apostar nessa novidade, estejam certos disso.

5. Mas e a seca de títulos?

Sim, o ponto mais urgente e delicado. O calcanhar de Aquiles do CAPGIGANTE. O Atlético não levanta uma taça desde o estadual de 2009 e não se pode mais esperar. Time grande vive de títulos e de supremacia nos clássicos, leia-se: Atletiba. Pessoalmente e na qualidade de torcedor comum, que é o que sou e sempre fui (e serei), fui ter com os caciques da Chapa uma conversa franca, olho no olho. “E os títulos?”, quis saber sem meio-termo, pois quem apóia tem o direito de cobrar. A um canto do salão onde se reuniam quase 900 Atleticanos com a camiseta do CAPGIGANTE, tive meus minutos de conversa com os candidatos (Salim e Petraglia) e me foi garantida a manutenção dos principais valores do elenco de 2015, a promoção de bons garotos da Base e a vinda de reforços. Eles me convenceram a renovar meu apoio e fiz questão de condicionar (frisar): “Vou querer as taças e o sangue nos zóio nos Atletibas dentro da Arena e no Couto! Posso contar com isso?”. Eles me garantiram que posso.

E disso tudo que foi escrito é que decorre o meu apoio, uma vez mais, ao Projeto CAPGIGANTE. Peço sua reflexão serena; seu voto para o CAPGIGANTE no próximo dia 12 de Dezembro e sua fiscalização caso as coisas não venham a sair conforme o prometido. Eu também vou cobrar!

Por um Atlético que se agiganta, peço esse voto de confiança no CAPGIGANTE do Salim e do Petraglia. E deixo meu abraço de torcedor comum do Clube Atlético Paranaense a TODOS os Atleticanos, pois seja lá quem assuma o CAP em janeiro de 2016 nós continuaremos torcendo pelo bem do Atlético, por seu crescimento e por suas vitórias.

Forte e cordial abraço!

Autor: Rafael Lemos

11 thoughts on “Coluna: Rafael Lemos

  1. Mais uma ver um texto arrasador deste mestre das letras ,. não tenho mas palavras para escrever da admiração e ate com um pontona de inveja dos seus textos ,sempre verdadeiros .
    Parabéns mestre

  2. Rafael Lemos, cada texto uma aula de Atlético e do eterno presidente Mário Celso Petráglia.
    Mais uma vez tiro o chapéu para pelo brilhantismo e prazer na leitura.
    Saudaçoes Rubro-Negras

  3. Concordo plenamente com o que foi escrito. Vou acreditar mais uma vez no “tino” administrativo do Sr. Petraglia, que espero agora neste próximo mandato, volte-se para o futebol que é a “essência” de um Clube que traz paixão e alegria aos seus torcedores há mais de 91 anos. Sem menosprezar os componentes da da outra chapa, acredito que atualmente e no cenário que será desenvolvido daqui pra frente, esta será a escolha mais inteligente.

  4. Sem comentários meu Nobre Rafael, sempre arrasando nas suas colunas, parabéns, disse o que todo o verdadeiro Atleticano queria falar……abraços

  5. Rafael Lemos é uma autoridade em se tratando de Atlético. Mais do que qualquer colunista, RL deve ser expressamente respeitado em suas opiniões, pois além de escrever há muitos anos, além de ser uma referência literária sobre o Atlético, é também um Atleticano fervoroso, convicto e apaixonado e nunca se vendeu a nada e a ninguém. Sempre sincero e objetivo, esse é o mestre Rafael Lemos!

  6. Eu que já fui editor de textos em outros tempos, sempre admirei a pessoa do Rafael. Outro que sempre admirei foi Petraglia, pois comecei a torcer para o furacão em 1995, quando o time ainda figurava na segunda divisão do brasileiro, tenho em minha história de torcedor um paralelo com a história de Petraglia frente do nosso furacão. Pude acompanhar estes 20 anos de conquistas e dificuldades. Posso dizer com todas as letras, valeu a pena! Da virada de mesa em 1995 após a goleada para o coirmão, volta a primeira divisão, ao projeto da arena, titulo brasileiro da série A em 2001, CT etc… Somos o que somos graças ao visionário Petraglia. Saudações rubro-negras e vida longa ao Rei!

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